O ano de 2026 marca um divisor de águas para os trabalhadores brasileiros com carteira assinada. Um conjunto de sete mudanças estruturais — que combinam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), novas portarias do Ministério do Trabalho e avanços legislativos no Senado — promete reconfigurar não apenas o bolso, mas a rotina e a saúde mental de milhões de cidadãos.
O movimento mais aguardado ocorreu no último dia 10 de dezembro, quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a PEC 148/2015. O texto reacendeu o debate nacional ao prever o fim gradual da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho sem redução salarial.
Vejamos as mudanças.
O que o ano de 2026 reserva aos trabalhadores
1. O fim da escala 6×1 e a jornada reduzida
A PEC 148 propõe uma transição escalonada: no primeiro ano após a aprovação, a carga horária cai de 44h para 40h semanais. Nos três anos seguintes, perde-se uma hora por ano, até atingir o patamar de 36h semanais. A proposta também blinda os fins de semana, sugerindo dois dias de descanso remunerado, preferencialmente aos sábados e domingos.
2. Domingos e feriados sob nova regra
Desde julho de 2025, a Portaria 3.665/2023 alterou a dinâmica do comércio (supermercados, farmácias e lojistas). Agora, o trabalho em feriados e domingos não é mais uma decisão unilateral da empresa: depende obrigatoriamente de previsão em convenção coletiva, dando aos sindicatos maior poder de barganha por folgas ou adicionais.
3. Saúde mental como norma obrigatória
A partir de maio de 2026, entra em vigor a atualização da NR 1. As empresas serão obrigadas a incluir “riscos psicossociais” em seus programas de gerenciamento. Burnout, estresse crônico e metas abusivas passam a ser tratados como riscos ocupacionais, sujeitando empresas negligentes a multas pesadas.
4. Indenizações por danos morais sem “teto”
O STF consolidou o entendimento de que o tabelamento de danos morais criado na Reforma Trabalhista de 2017 é apenas referencial. Na prática, em 2026, juízes têm liberdade para fixar indenizações maiores em casos graves de assédio ou acidentes, garantindo uma proteção jurídica mais robusta ao empregado.
5. Salário Mínimo de R$ 1.621
Confirmado pelo Ministério do Planejamento, o novo piso nacional entra em vigor este mês com um reajuste de 6,79%. O valor representa um ganho real (acima da inflação) de aproximadamente 2,5%. O impacto é em cadeia: seguro-desemprego, abono salarial e benefícios do INSS também sobem, injetando recursos na economia.
6. FGTS Digital e pagamento via Pix
A tecnologia agora é a maior aliada contra a inadimplência. Com o FGTS Digital, o recolhimento é feito via Pix, permitindo que o governo identifique atrasos em tempo real. Para o trabalhador, o benefício é a transparência: a chance de descobrir que a empresa não depositou o fundo meses depois de sair do emprego cai drasticamente.
7. eSocial: O “Big Brother” trabalhista
A consolidação do eSocial em 2026 centraliza toda a vida do trabalhador em um sistema único. Férias, horas extras e acidentes de trabalho são registrados digitalmente, dificultando a ocultação de irregularidades e servindo como prova documental incontestável em eventuais ações judiciais.
Conclusão
O que o trabalhador deve fazer agora? Especialistas em Direito do Trabalho recomendam cautela e vigilância.
É essencial acompanhar a tramitação da PEC 148 no plenário do Senado, fiscalizar o extrato do FGTS mensalmente pelo aplicativo e, principalmente, observar o ambiente interno das empresas quanto às novas regras de saúde mental.
Fonte: Jornal Contábil



